outubro 02, 2009 |
O sonho de Maria...

“Os anos passaram, o tempo passou e aquele era o seu dia, aquele era o dia que tanto tinha sonhado.
Atravessou a velocidade moderada os grandes portões de ferro, que a afastavam do sonho e a levavam à realidade. Finalmente estacionava o carro ali, onde outrora via tantos carros lá estacionados. Agora era a sua vez.
Abriu a porta e deslizou para fora da viatura com toda a calma, a calma que o seu nervosismo permitia.
Os sapatos? Salto alto 6 cm, havia que manter a descrição e ainda assim a classe que o seu tailleur exigia. Apoderava-se do seu estômago a tão típica ansiedade. Pegou na pasta, cor de mel a combinar com todo o conjunto, fechou o carro e desceu pela “tão” famosa rampa… ainda antes de entrar olhou lá para cima “a sua boa estrela em todas as estradas…”, era um clássico não um topo de gama, mas era seu. Estimado e amado, o seu 300 D. Cor? Poderia ser básico e vulgar para qualquer pessoa mas aquele era o seu sonho e do alto dos seus 25 anos era o branco que imperava.
Entrou na sala que iria dar a uma outra, onde essa sim lhe causava mais do que um nervoso miudinho.
Abriu a porta e alguns dos rostos presentes olharam para ela, que apenas se limitou a um sorriso e a um bom dia. Alguns olhares voltaram-se e corresponderam, outros não só se limitaram a olhar como também a se levantar para a felicitar e cumprimentar pessoalmente.
Tinha conseguido, tinha chegado àquela sala, não como aluna, mas como colega, Alguns daqueles que sempre idolatrou e respeitou seriam agora seus colegas e esse era o seu maior triunfo.
Professora Helena, a mentora. O seu ídolo máximo, aquela que a levou até aos caminhos da História e Português. Deveria ter aproximadamente 1.75 de altura, sempre impecavelmente vestida, sempre com um ar frio, distante, com as suas fichas de leitura, sempre escritas a caneta de tinta permanente… tinha sido ela com o seu ar frio mas fácil de conquistar que a tinha levado a licenciar-se em História.
Filomena, professora de trabalhos manuais era a visão de uma Linda Evans, hoje com mais alguns anos, mas alguém tão doce que sempre que se cruzavam havia uma troca de beijos e uma trivial troca de informações de como ia decorrendo a vida.
O seu colega de sempre, e único até aquele dia a entrar “pela porta grande com um Mercedes. Valeu-lhe um dia ter jogado a lotaria espanhola e ter ganho o suficiente para trocar um velhinho BMW, e tornar-se construtor civil, sem que deixasse de dar aulas.
Olhava-os a todos e com o respeito de todos.
Angelina uma doce alma que tinha sido sua professora de trabalhos manuais e que passados alguns anos se mudou para outra escola, não tendo deixado durante algum tempo que se correspondessem (hoje ainda guardava as suas lembranças). António seu colega da mesma disciplina, um verdadeiro Dom Juan, voltando claro está uns 15 anos atrás, mantinha o mesmo estilo “encanto” e educação. De todos era aquele que ela considerava ter sido quem mais tinha feito desde sempre pela escola.
Manuela professora de inglês, que bem a tentou encaminhar para o Inglês, mas a tentação era bem maior ao tentar seguir os passos pelos caminhos da História.
Hoje estava ali perante aqueles rostos algo envelhecidos pelo tempo mas que trouxeram à sua juventude os momentos mais felizes e alegres.
Ser delegada de turma, ou subdelegada, era uma honra que vinha por parte dos colegas que a elegiam, mas tudo o resto, tal como as festas de fim de ano em homenagem aos seus professores feitas por dedicação, carinho e muito respeito… aquilo que sentia no ontem era precisamente o que sentia naquele preciso momento… não era um sonho mas sim realidade”. 
Pois é, parece, pelo menos a mim a realidade, na verdade quando tinha 13 ou 14 anos era este o meu sonho, sonho que acalentei durante mais alguns anos.
O meu maior sonho (além do Mercedes de que tanto falo), era ser colega dos meus professores… que sempre respeitei, admirei e idolatrei. Sendo eles pessoas com defeitos, qualidades, não era isso que esta “miúda” via.
Os anos passaram, demasiado depressa e com demasiadas contrariedades. Só consegui entrar na faculdade aos 24 anos (tive de trabalhar para chegar lá, sempre com a ajuda da minha mãe e alguns anos mais tarde dos meus irmãos).
A vida foi-se alterando, os rumos de vida mudaram e o sonho fugiu… licenciei-me.
Não fui pior nem melhor do que ninguém, apenas me fartei. Trabalhar e estudar acaba por ser bastante cansativo… e mesmo com cábulas (sim quem nunca as fez que atire a primeira pedra), eu acabei o meu curso de História.
Pensei desistir no último ano, mas sei que para a Lena e para todos aqueles que acreditavam que eu não era capaz, eu fui… e assim no último dia e fosse como fosse ao saber da última nota chorei, agarrada à Lena, liguei e agradeci ao s meus irmãos, aos meus amigos.
Mas o sonho, o meu mais doce sonho sei que jamais se vai realizar, o sistema mudou, eu mudei e quando se muda é muito difícil voltar atrás.
Hoje poucos assuntos que ganham o meu interesse na História e muito já foi esquecido, porque simplesmente “foi um tem de ser e um sou capaz”…
Continuo a falar com vários dos meus professores, ainda os idolatro e sinto saudades do tempo em que um professor era tratado com respeito e carinho, era também isso que eu procurava nos meus futuros alunos… mas tudo muda e nada volta a ser igual.
Está ali bem guardado o anel de curso oferecido pela minha querida avó (já falecida), o traje oferecido pela Lena e pelo Luís.
Tive direito, mesmo tropeçando aqui e ali a essas coisas… mas tudo muda.
Por isso e com esta “lenga lenga” toda, te digo… nunca, mas nunca deixes de ir atrás dos teus sonhos…
Hoje és caloira e a vida não vai ser fácil como não o foi até aqui… mas chegaste lá e numa idade em que tudo é tão mais fácil, luta por ti e pelo que queres.
Não me vou esquecer nunca da frase que disseste: “estou tão feliz, nunca mais me vou esquecer deste dia, entrei para a faculdade e estou com a família”, olhei para o lado e vi quem estava e acreditas que durante muitos dias fiquei a pensar nessa frase?
Amo e respeito os meus sobrinhos… foi tendo e “recolhendo” ao longo dos anos sobrinhos emprestados… como dizes que achas melhor que eu seja “tia” (dizes tu que pareço, só não sei onde), esta “tia” estará disponível sempre que precisares de alguma coisa… sei que não pode ser assim, mas fica pelo menos a vontade.
Vais conseguir, sempre com um sorriso nos lábios!

p.s: Este texto por muito simples que seja ou não fazendo sentido...dedico a ti I … a música dedico ao poeta á poetisa, a todos aqueles que brincam e sabem brincar com as palavras…mas em particular esta música é dedicada a Ti Joana …vá-se lá saber porquê.
Saudades vossas? Imensas. Saudades de mim? Mais do que muitas.
A todos um beijo n´oteudoceolhar
Publicado por joanstar em
08:07 PM
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